Brasão do Sacro Império Romano do Ocidente

Sacro Império Romano do Ocidente

Chancelaria Imperial

Nota circular
N.D. 001/MMXXVI

Washington, Cidade Imperial
4 de novembro de 2026

AosEstados e Casas Soberanas da comunidade micronacional

AssuntoSituação na Europa

A Chancelaria Imperial do Sacro Império Romano do Ocidente apresenta os seus cumprimentos aos Estados e às Casas Soberanas da comunidade micronacional e, por mandado de Sua Majestade o César, leva ao seu conhecimento a posição da Coroa do Ocidente acerca dos acontecimentos que, nas últimas semanas, comprometeram a estabilidade do concerto europeu.

  1. Da gravidade do momento

    Os acontecimentos em curso não se limitam a uma controvérsia entre Estados vizinhos. Põem em causa o princípio de que os compromissos internacionais obrigam quem os assume, princípio sem o qual nenhum tratado oferece garantia e nenhuma fronteira merece confiança.

    Por essa razão, a Coroa do Ocidente entende ser seu dever pronunciar-se.

  2. Dos atos do governo de Valberto

    A Coroa reprova os atos praticados pelo governo de Valberto na Rússia: a apropriação unilateral de domínios e a denúncia de compromissos solenemente assumidos, entre eles o Tratado de Füssen.

    A aquisição de domínios pela vontade de uma só parte é incompatível com a igualdade soberana dos Estados e com a integridade de seus territórios. Segundo a máxima ex iniuria ius non oritur, do ato ilícito não nasce direito: a Coroa não reconhece efeito a tais atos e não os admitirá como fundamento de pretensão alguma.

    A Coroa associa-se, ademais, ao juízo da quase totalidade dos Estados europeus, que recusaram legitimidade a esse governo.

  3. Da integridade dos tratados

    Pacta sunt servanda. Todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser por elas cumprido de boa-fé, como dispõe o artigo 26 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, cujas regras a comunidade micronacional acolhe como expressão do direito costumeiro.

    A denúncia produz efeitos apenas nos termos que o próprio tratado estabelece. Não exonera a parte que a pratica das obrigações que tenham existência autônoma, nem desfaz os direitos e as situações jurídicas constituídos enquanto o tratado vigorava.

    Em consequência, a Coroa tem por vigentes os instrumentos reunidos no Tratado de Füssen que não foram, eles próprios, objeto de denúncia regular, entre os quais o Tratado de Neuschwanstein, e espera das partes o seu cumprimento integral.

  4. Da legitimidade no Trono da Rússia

    A Coroa do Ocidente reconhece Sua Majestade Imperial Ivan VII, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias, como legítimo Soberano do Império Russo, com quem celebrou, em 2 de novembro de 2026, o Tratado de Paz e Amizade Perpétua registrado sob o número Dipl. 008/MMXXVI.

    A Coroa não reconhece pretensão concorrente ao Trono da Rússia, nem atribui validade a atos praticados em nome dela.

  5. Das pretensões de Aragão

    A Chancelaria Imperial tomou conhecimento das pretensões formuladas pelas autoridades de Aragão, antes Andorra, fundadas em instrumentos bilaterais celebrados com o antigo governo russo.

    Os tratados obrigam somente as suas partes, pacta tertiis nec nocent nec prosunt; nos termos do artigo 34 da Convenção de Viena, nenhum tratado cria obrigações nem direitos para um terceiro Estado sem o seu consentimento. Tampouco pode alguém transferir a outrem direito que não possui, nemo plus iuris ad alium transferre potest quam ipse habet. Os títulos derivados de um governo cuja legitimidade a comunidade internacional recusou carecem, por isso, de fundamento.

    Em consequência, a Coroa não reconhece os títulos e as dignidades assumidos com tal fundamento, não os admitirá na correspondência que lhe for dirigida e convida as autoridades de Aragão a reconsiderarem uma posição que as afasta do consenso internacional.

  6. Do concerto das nações

    A Coroa do Ocidente concertará a sua ação com os Estados que sustentam a vigência dos tratados e a legitimidade reconhecida na Rússia.

    A Cidade Imperial de Washington permanece à disposição, como sede de conversações, das partes dispostas a restabelecer a ordem no continente sobre a base do direito.

  7. Da posição da Coroa

    Em síntese, a Coroa do Ocidente declara: que não reconhece modificação da ordem europeia operada pela força ou pela vontade de uma só parte; que tem por vigentes os tratados regularmente celebrados e não regularmente extintos; que reconhece Sua Majestade Imperial Ivan VII como legítimo Soberano da Rússia; e que não reconhece os títulos e as pretensões assumidos por Aragão com fundamento no antigo governo russo.

    A Coroa acompanhará a evolução dos acontecimentos e adotará, em concertação com os Estados amigos, as medidas que a preservação da ordem e do direito vier a recomendar.

A Coroa do Ocidente cumpre os compromissos que assume e espera de todas as nações igual fidelidade. A Chancelaria Imperial aproveita a oportunidade para renovar aos Estados e às Casas Soberanas da comunidade micronacional os protestos da sua mais alta consideração.

Dada em Washington, Cidade Imperial,
aos quatro dias de novembro de 2026.

Julian Aurelius Harcourt

Magister Officiorum
Chefe da Diplomacia Imperial

Chancelaria Imperial · N.D. 001/MMXXVIPublicada pelo Sacro Império Romano do Ocidente